© 2018 por Agência Desperte-Se para AWÁ 

Buscar
  • Bruno Barcelos

A inevitável mudança de modelo mental que nos levará para um novo tempo

Atualizado: 17 de Set de 2018


Por Bruno Barcelos - Diretor de Inovação, Pesquisa e Conteúdo na Awá Desperta.


Um devir, um novo mundo, um novo tempo, é um desejo coletivo menos ou mais consciente que ressoa cada vez com mais força. Concluímos isso em nossas pesquisas, observações e vivências pessoais e coletivas. Contudo, cansamos de esperar por relações mais humanas e por um mundo ideal, e decidimos nos conectar com valores positivos e assumir a nossa responsabilidade pessoal num mundo real, sendo nele o melhor que pudermos.


A Awá Desperta tem convicção que o futuro que nos bate à porta nos convida para a mudança: não há outra possibilidade. Você acredita que outra forma de viver, mais integrada e amorosa, está disponível para construirmos?


E pessoalmente, acredita que há algo bom em você?


Nós acreditamos que sim, certamente poderíamos fazer uma lista, e por isso decidimos em nosso primeiro post falar um pouco sobre o potencial humano, a matéria prima do nosso empreendimento, demonstrar um pouco do nosso jeito de ser, e trazer mais questionamentos do que respostas, que por sua vez serão construídas em conjunto, daqui para frente, durante nossa trajetória.


No ano de 2004, em Belo Horizonte, ao desenvolver um trabalho sobre educação musical para a faculdade de Música na Federal de Minas Gerais, conheci o autor Howard Gardner e a sua Teoria das inteligências Múltiplas, o objetivo naquela época era provar como que qualquer pessoa é capaz de desenvolver habilidades musicais, ao contrário do antigo conceito de uma “elite intelectual e artística”, e Gardner naquele momento me descortinava a ideia de 7 inteligências naturalmente disponíveis, em contraste ao paradigma excludente de uma inteligência única, mensurada pela psicometria.


Apesar de ter me assustado ali ao imaginar que Stephen Hawking (eu andava impressionado com o filme sobre a vida do físico recém-lançado no ano) podia ser tão inteligente quanto um cidadão comum com outras habilidades, tal qual uma ginga de futebol, ou que um bom samba no pé também era sinônimo de tanta inteligência quanto de um pianista na Alemanha, percebi que a perspectiva proposta trazia consigo uma coisa chamada inclusão e diversidade.


E nesse olhar inclusivo não caberia mais a classificação binária: de bem ou mal, pessoa melhor ou pior, mais ou menos inteligente, que trazia em si a intenção classificatória de formar rankings das pessoas “ultra capazes”versus as “menos aptas para aprender”, sob um paradigma até então centrado na inteligência lógico-matemática como diferenciadora, a fim de justificar todo um sistema econômico e científico. (Principalmente econômico). Havia um cardápio de habilidades amplamente disponíveis e igualmente relevantes em todos nós!


Vim reencontrar com o paradigma contrário, sobre o qual Gardner se estruturou, em link recente, ao revisar o tema das competências nas empresas, e os seus diversos matizes e usos com os quais pude lidar no decorrer da minha carreira. Não, não sou o cara mais sênior que você vai ouvir falar sobre esse assunto, mas já vivi por 11 anos o discurso das “competências a serem adquiridas” por parte de diversas organizações: de dentro como colaborador, e “de fora” como estudante ou consultor. Assisti também de perto o desafio de decidi-las, discrimina-las, desenvolve-las, geri-las e avalia-las. E ufa! Que desafio esse processo pode gerar, não? E como isso se desenrola na prática?

Ainda mais que como contexto, temos as influências do meio social em que uma empresa está inserida e o microcosmo da cultura organizacional. “A sua nota não foi suficiente porque você não desenvolveu a competência de “entusiasmo criativo” ou coisa do gênero, quem nunca viu algo similar? Ou do contrário: “é melhor parar de se engajar tanto com o programa de voluntariado ou vai deixar de entregar resultados”.


Como sair do discurso?

O universo das potencialidades humanas tem sido estudado de forma muito séria por autores como Peterson e Seligman (2004) que nos apresenta 6 virtudes e 24 forças de caráter como uma espécie de cardápio de atributos que, por serem potenciais, podem ser desenvolvidos e utilizados de acordo com os objetivos das pessoas e organizações. Seja de forma inconsciente (na “marra”), ou consciente e estratégica, através da criação e da repetição de padrões de crenças positivas, de ambiente favorável, de amadurecimento psicológico, e emocional.


E sem nos atermos nesse artigo a qualquer unidade da centena de listas das competências para o mundo atual ou futuro, sejam elas as competências da quarta revolução industrial, ou as listas de competências para encantar recrutadores, ou “as 5, 6 ou 9” competências que devo desenvolver na minha empresa, também a lista da revista A, a lista do Blog Z ou do “Buzz” 17, sabemos aqui que o ser humano em vida profissional ativa está saturado de ler check lists de exigências para um contexto que não favorece o seu desenvolvimento, e mais do que isso, talvez simplesmente não veja vantagens em algumas delas em determinados nichos e culturas organizacionais. Faz sentido?


As competências para um novo tempo e a Awá Desperta

Dado o universo acima citado das competências nos ambientes corporativos e na vida das pessoas, e a possibilidade de co-criação de um mundo produtivo diferente para nós e para as gerações futuras, gostaríamos de dizer que, com um gostinho de quero mais, esse espaço da nossa página nasce com o objetivo de participar, em pílulas, de conteúdos que permitirão aos poucos a resposta conjunta das perguntas que surgem: Que novo mundo é esse? Quais competências ele exige de mim dentro e fora da minha empresa? Quais competências ele exige da minha empresa?  Como desenvolvê-las?

Para tanto, na trajetória de conversas que propomos desenvolver por aqui em nosso blog focaremos nas chamadas Competências Socioemocionais, que são também conhecidas como softskills pelo mundo corporativo e da educação. Isto é, como faço a gestão das minhas emoções, como atuo junto ao meu time ou equipe de forma colaborativa e flexível, e como lidero para a inovação e o desenvolvimento integrado, sem esquecer como percebo a dor e a alegria do outro.


Seria o fino trato amoroso entre humanos e natureza a garantia de sucesso e sustentabilidade do planeta?

Vamos falar ainda no nosso dia-a-dia sobre os desafios e oportunidades que o futuro pode nos apresentar, e de como lidar com ele de forma mais integrada e gentil (conosco, e com a Terra). O objetivo é que as próximas gerações cheguem lá (no futuro) saudáveis e usufruindo em um planeta nada madmax, contudo mais próspero e fecundo, como ainda o conhecemos em algumas searas.


Será possível desenvolver competências e todo o potencial das pessoas para isso? Ou seria despertar o potencial já existente e lembrarmos os reais motivos de existirmos aqui e agora?


Como fazemos tudo isso, dos porquês, das nossas inquietações sonhos e esperanças, dos processos que escolhemos, o que temos aprendido e tudo o mais será o trajeto desse caminho chamado Awá Desperta, do qual convidamos a se conectarem!


Eu sou Bruno Barcelos Morais, Diretor de Inovação e Pesquisa da Awá Desperta, tenho sede de transformação pessoal e social. Em nosso próximo artigo, falaremos sobre como a metodologia baseada em imersões podem despertar uma visão de mundo mais ampliada, o que trás benefícios também para as empresas e organizações.


Bibliografia

GARDNER, Howard. Inteligência: um conceito reformulado. Rio de Janeiro: Objetiva, 1999. _______. Inteligências múltiplas: a teoria na prática. Porto Alegre: Artes Médicas, 1995.

PETERSON, C., & SELIGMAN, M. E. P. (2004). Character strengths and virtues: A handbook and classification. New York: Oxford University Press and Washington, DC: American Psychological Association.